quando me escreve
começa o mail com um
"oi, querido"
e eu derreto de bobo
sei que nunca
a terei
nossa história é outra
não estamos na mesma cidade
nem amamos igual
mas o "oi, querido" dela
me satisfaz, me turbina
deixo escapar um
sorriso no canto da minha boca
um sorriso pra mim mesmo
que talvez ela até imagine
terça-feira, 22 de dezembro de 2009
quinta-feira, 29 de outubro de 2009
sexta-feira, 23 de outubro de 2009
sexta-feira, 14 de agosto de 2009
às vezes tonto, mas nem tanto a ponto de cair.
às vezes tento, mas nem sempre (e o medo de não dar).
às vezes santo, mas nunca num altar.
às vezes quero, mas não me dão.
às vezes ela, às vezes eu.
às vezes o dia, mas não o sol.
às vezes a noite, mas não durmo.
às vezes tonto, mas nem tanto a ponto de sentir.
às vezes tento, mas nem sempre (e o medo de não dar).
às vezes santo, mas nunca num altar.
às vezes quero, mas não me dão.
às vezes ela, às vezes eu.
às vezes o dia, mas não o sol.
às vezes a noite, mas não durmo.
às vezes tonto, mas nem tanto a ponto de sentir.
sexta-feira, 22 de maio de 2009
do peito
eu tenho muitos amigos
uns mais que os outros
os outros são os outros
meus amigos são mesmo
amigos do coração
amigos do peito
morreria abraçado
a eles devo muito
devo agradecer
devo agradar
devo minh'alma
eu tenho amigos
que não são pouco
que não se velam
que não se cansam
vou na estrada
com eles
sem me perder.
uns mais que os outros
os outros são os outros
meus amigos são mesmo
amigos do coração
amigos do peito
morreria abraçado
a eles devo muito
devo agradecer
devo agradar
devo minh'alma
eu tenho amigos
que não são pouco
que não se velam
que não se cansam
vou na estrada
com eles
sem me perder.
domingo, 17 de maio de 2009
i forgive but i don't forget
aprendi a ser assim de agora em diante porque não me interessa o preço da carne, mas do espírito, esse que não se compra em mercado, que não se vende na feira, que se conquista com sódio e potássio, com muito suco de fé e água de coco.
tenho certeza, mas posso estar errado. tenho certeza, mas posso estar quebrado. tenho certeza de que é a vida que nos cobra, não você nem ele ela tu eles. ninguém tem certeza de nada, e isso pouco importa. ter certeza é estar errado em alguma coisa.
aprendi a ser assim de agora em diante porque não me interessa o preço da carne, mas do espírito, esse que não se compra em mercado, que não se vende na feira, que se conquista com sódio e potássio, com muito suco de fé e água de coco.
tenho certeza, mas posso estar errado. tenho certeza, mas posso estar quebrado. tenho certeza de que é a vida que nos cobra, não você nem ele ela tu eles. ninguém tem certeza de nada, e isso pouco importa. ter certeza é estar errado em alguma coisa.
quarta-feira, 29 de abril de 2009
lençol de baixo
Não se trata de amor
Nem de tato
É uma insônia perdida na noite
mais uma noite ganhando tempo
para divagar
É só mais uma noite
Disso se trata
De, de madrugada, perder-se
entre algum sonho
De amor, de infância, de verdade
E acordar ensopando
o lençol de baixo
Arrumar a cama na noite
anterior, te mostrar os nós
possíveis de se fazer
caso não haja elástico
Já passa das duas. O cobertor,
quero decifrá-lo melhor,
porque a cada tempo está de um jeito.
Aquece-me demais, mas deixa
frestas para o frio.
O preço do inverno.
Sobre o que há em mim
não deveria me importar tanto
mas sob o que há sim.
Não se trata de amor,
nem de tanto.
Nem de tato
É uma insônia perdida na noite
mais uma noite ganhando tempo
para divagar
É só mais uma noite
Disso se trata
De, de madrugada, perder-se
entre algum sonho
De amor, de infância, de verdade
E acordar ensopando
o lençol de baixo
Arrumar a cama na noite
anterior, te mostrar os nós
possíveis de se fazer
caso não haja elástico
Já passa das duas. O cobertor,
quero decifrá-lo melhor,
porque a cada tempo está de um jeito.
Aquece-me demais, mas deixa
frestas para o frio.
O preço do inverno.
Sobre o que há em mim
não deveria me importar tanto
mas sob o que há sim.
Não se trata de amor,
nem de tanto.
quinta-feira, 23 de abril de 2009
o médico disse que aquilo pode matar. eu não acredito nele. não é assim para morrer. morrer sem penar. morrer sem querer. não é bem assim, fácil como ele prevê. ele não tem culpa, sei. estudou pra isso. mas não acreditei quando ele disse que era fácil uma infecção. se o corpo não diz isso, se a mente não quer, também não vou querer. o médico que me desculpe, mas não vou lhe acreditar. não dei a mínima bola.
quarta-feira, 18 de março de 2009
força
toda vez que terminamos mais uma historinha e ele adormece segurando firme a minha mão eu descubro que existo.
quarta-feira, 11 de março de 2009
pós q 2 (código secreto)
esse gosto ruim me persegue
me fere a boca
a tontura me ronda, noite e dia
eu sempre querendo reverter a ordem
do que não tem jeito
mas tem cura
me fere a boca
a tontura me ronda, noite e dia
eu sempre querendo reverter a ordem
do que não tem jeito
mas tem cura
estrelas
leio um livro em que uma das personagens se autoavalia ao final do dia. conforme o andar das coisas, conforme ela se comporta, conforme ela trabalha, conforme ela descansa, conforme ela gosta ou não gosta, conforme o que lhe acontece, conforme o que lhe fazem, conforme o que ela faz ela se autoavalia dando-se estrelinhas no diário. dia ruim, desempenho ruim, uma ou duas estrelas. dia bom, alto astral, cinco estrelas. essa é a escala usada por ela. hoje eu me daria **1/2.
segunda-feira, 2 de março de 2009
pós q 1 (código secreto)
saí da clínica me sentindo muito bem, obrigado. também, quatro horas e meia espreguiçado ali, só lendo, vendo tv. moleza. chovia e tive que ir à farmácia comprar mais uma batelada (!) de remédios. numa esquina me coloquei sob uma marquise para ver se os pingos diminuiam. era eu e mais uns sete oito, todos lado a lado, um verdadeiro muro de fuzilamento. fui o quarto a chegar, acho. e os outros depois de mim chegaram ainda mais molhados. a chuva aumentou e eu poderia ficar ali por mais uns trinta minutos que não teria problema. gosto de ver quando a chuva atrapalha ainda mais as pessoas, os motoristas ficam alucinados. pedestre correndo, carro trancando o sinal, motociclistas equilibristas. mas também porque gosto de ver a chuva varrer a rua, uma sensação de limpeza me transmite. agora vou deitar de novo, pra descansar de antes.
sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009
sexta-feira, final de tarde, vou pra casa, fim de papo, monitor apagado, tenho que abastecer, penso em são paulo, no dinheiro pro táxi, o mesmo hotel (tem mesmo iso 9000?), aquele pé direito baixo, penso no mercado, pizza de novo, comédia no cinema, o livro esperando, sábado de churrasco, se a chuva deixar vai ser mais um final de semana.
domingo, 4 de janeiro de 2009
quinta-feira, 1 de janeiro de 2009
Vácuo
atravessei uma avenida inteira sem que qualquer carro cruzasse pelo meu, ninguém me ultrapassou, não passei por ninguém também. era último dia do ano, de um ano meio safado. tento viver em vácuo para não esquentar a cabeça com o que passou. tento nem me sensibilizar com coisas tolas, como amor, família, saúde. tudo não passa de vácuo na minha cabeça.
percorri a avenida inteira e sequer uma buzina me atingiu, nenhuma freada brusca, nenhum som retumbante de um carro envenenado. de dentro do carro cheguei a desligar o rádio para ouvir o nada, só o barulho das rodas do carro me levando. tudo não passa de vácuo na minha cabeça.
graças a Deus me refugiei na cidade, fugi do litoral. não estava para fogos e pulsações. estava mais era para o vácuo, para o nada, para o sentir menos possível.
2008 ficou com cara de mal explicado pra mim. não entendi direito o que ele quis dizer e agora entro o ano novo tentando entender o que não me foi dito. sei que logo logo aparece para mim um novo recado, um boletim, que poderá ser ruim ou não. e sei que isso será coisa de 2008, um ano que quis de mim atenção e eu neguei fogo. parecia que tudo estava ajustado até que o rojão explodiu. não pude pensar duas vezes, cai no vácuo em que me encontro.
tudo tem explicação, as ruas vazias, o silêncio e os clarões dos fogos do rèveillon. até a champagne doce tem, até a cerveja sem álcool, o mamão com banana no café da manhã. o suco de agrião, a manta para não sentir frio. tudo parece que quer se encaixar na minha cabeça, quer me fazer acreditar, quer me fazer ver. e está na hora de olhar antes de cruzar a outra rua. esse vácuo pode me fazer voltar atrás, pode tentar de tudo. preciso pensar e admitir coisas antes que eu perca mais tempo. acordar para o ano pode ser um bom começo. planejar os dias, pensar nos outros. tudo me fará bem.
percorri a avenida inteira e sequer uma buzina me atingiu, nenhuma freada brusca, nenhum som retumbante de um carro envenenado. de dentro do carro cheguei a desligar o rádio para ouvir o nada, só o barulho das rodas do carro me levando. tudo não passa de vácuo na minha cabeça.
graças a Deus me refugiei na cidade, fugi do litoral. não estava para fogos e pulsações. estava mais era para o vácuo, para o nada, para o sentir menos possível.
2008 ficou com cara de mal explicado pra mim. não entendi direito o que ele quis dizer e agora entro o ano novo tentando entender o que não me foi dito. sei que logo logo aparece para mim um novo recado, um boletim, que poderá ser ruim ou não. e sei que isso será coisa de 2008, um ano que quis de mim atenção e eu neguei fogo. parecia que tudo estava ajustado até que o rojão explodiu. não pude pensar duas vezes, cai no vácuo em que me encontro.
tudo tem explicação, as ruas vazias, o silêncio e os clarões dos fogos do rèveillon. até a champagne doce tem, até a cerveja sem álcool, o mamão com banana no café da manhã. o suco de agrião, a manta para não sentir frio. tudo parece que quer se encaixar na minha cabeça, quer me fazer acreditar, quer me fazer ver. e está na hora de olhar antes de cruzar a outra rua. esse vácuo pode me fazer voltar atrás, pode tentar de tudo. preciso pensar e admitir coisas antes que eu perca mais tempo. acordar para o ano pode ser um bom começo. planejar os dias, pensar nos outros. tudo me fará bem.
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